domingo, 14 de setembro de 2014

Saiba como combinar frutas e vegetais e deixar os sucos naturais mais nutritivos Variedade de sabores e texturas ajuda a compor bebidas aliadas da saúde

por Camila Nunes
Foto: stock.xchng / Divulgação

Os sucos naturais são grandes aliados da dieta saudável. As frutas são ricas em vitaminas, minerais e fibras e oferecem uma grande diversidade de sabores e texturas, ajudando a compor bebidas que agradem a diferentes paladares. As nutricionistas Lenice Zarth Carvalho e Ana Carolina Bragança dão dicas de como combinar frutas e vegetais para deixar os sucos ainda mais nutritivos e ajudar no bom funcionamento do organismo. Confira:

Flora intestinal: água de coco, mamão e frutas vermelhas
Auxilia na recuperação da flora intestinal por causa da ação da glutamina e do potássio presentes na água de coco, do betacaroteno do mamão e das propriedades das frutas vermelhas. É um suco indicado especialmente para quem toma medicamentos como laxantes, antibióticos e anti-inflamatórios, ou ainda para quem tem disbiose intestinal (predomínio de fungos e bactérias que causam doenças). O suco deve ser preparado com frutas maduras e não deve ser adoçado. Farelo de aveia pode ser acrescentado.

Saiba como escolher o suco pronto mais saudável

Ação detox: maçã, abacaxi, couve e salsa
Ajuda a limpar as toxinas do organismo – principalmente do fígado – devido as enzimas digestivas e as vitaminas do abacaxi, aliadas ao enxofre, ao magnésio e ao ácido fólico da couve. A ação diurética da salsa completa o processo.

Combate ao envelhecimento: limão, acerola e cenoura
A vitamina C presente no limão e na acerola, junto ao betacaroteno da cenoura, auxilia no combate ao envelhecimento das células, impedindo a ação de radicais livres sobre o metabolismo celular.

Suco de uva pode ser aliado para perder a barriga

Antes do treino: beterraba, 200ml de suco de laranja, três morangos e uma colher (chá) de guaraná em pó
A beterraba, que é energética, aumenta o desempenho da atividade física se for consumida uma hora antes do treino. Também eleva a capacidade de ganho de massa magra, uma vez que auxilia na recuperação muscular. O guaraná tem efeito estimulante, recomendado para o pré-treino.
Diurético drenante: 200ml de água de coco, meia pera, uma fatia de melão, meio talo de salsão, uma colher (café) de gengibre em póTem capacidade diurética natural, ajudando a diminuir o inchaço corporal. Contém baixas calorias, mantém a hidratação do corpo e promove o bom funcionamento intestinal. Além de ajudar a melhorar as defesas do organismo.
Sintomas da menopausa: 200ml de suco de laranja, duas fatias de abacaxi, cinco folhas de hortelã e uma colher de sopa de maca peruana em pó
Além de refrescante, esse suco contém uma combinação de vitaminas do complexo B, zinco e vitamina E, que auxiliam na formação de hormônios, aliviando as ondas de calor.

sábado, 13 de setembro de 2014

Microsoft compra produtora do jogo "Minecraft" por US$ 2,5 bilhões

Desenvolvido pela sueca Mojang, game é um dos mais vendidos de todos os tempos
Foto: Minecraft / Reprodução

Depois de rumores espalhados durante a semana passada, o negócio foi confirmado. A Mojang, produtora sueca do jogo Minecraft, anunciou nesta segunda-feira que foi comprada pela Microsoft por US$ 2,5 bilhões.

O fundador da Mojang, Markus "Notch" Persson, irá deixar a empresa após a aquisição. A decisão de Persson não surpreende, pois ele já falou publicamente diversas vezes contra grandes corporações tecnológicas, o que inclui a Microsoft. Em nota, ele contou que irá se dedicar a pequenos jogos experimentais.

– Se eu, acidentalmente, fizer alguma coisa que atraia atenção, irei abandonar imediatamente – diz Persson no comunicado.

Depois de 30 anos, japonês descobre truque no jogo Super Mario BrosJovens do mundo todo se reúnem para assistir espetáculo de videogame
Além de Persson, outros dois fundadores da Mojang, Jakob Porsér e Carl Manneh, também saíram da empresa.

A compra da Mojang foi a maior aquisição da Microsoft desde que Satya Nadella assumiu a presidência da companhia, em fevereiro deste ano.

Minecraft


Com mais de 50 milhões de cópias comercializadas, Minecraft é um dos jogos mais vendidos de todos os tempos. Lançado oficialmente em 2011, o game permite criar objetos e monumentos utilizando blocos, pedras, madeiras ou minérios. Não há objetivos no jogo, por isso, não existe uma forma de vencer, mas há ações que podem fazer o jogador morrer. A liberdade é grande, tanto que alguns jogadores mais dedicados recriam de tudo – desde cena clássica de Star Wars (assista abaixo) até, simplesmente, o planeta Terra.


Há versões para diferentes plataformas – como PC, iOS, Android, Xbox e Playstation –, que continuarão a ter suporte, conforme garantiu a Microsoft.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Conheça os 21 dinossauros descobertos no Brasil

Edição especial do Planeta ciência apresenta um por um a origem e as características dos fósseis encontrados no país
por Ticiano Osório / ZH

Foto: Editoria de arte

O Brasil tem 21 espécies de dinossauros confirmadas e batizadas. Há casos tidos como duvidosos (o Antarctosaurus brasiliensis: não se sabe dizer se era diferente ou igual a outras espécies) ou indeterminados, e já houve um "rebaixamento" – o Sacisaurus agudoensis (assim chamado porque, entre os ossos encontrados em rochas na cidade gaúcha de Agudo, havia 19 fêmures direitos, mas nenhum esquerdo), anunciado em 2006, foi reclassificado como pertencente a um grupo de répteis distinto.

As duas dezenas parecem poucas comparando com as mais de cem da Argentina, país com extensão territorial três vezes menor que, dias atrás, deu oficialmente ao mundo o Dreadnoughtus schrani, gigante de 26 metros de comprimento e 60 toneladas, com 70% dos ossos descobertos na Patagônia. Há uma série de motivos, como aponta o professor e paleontólogo paulista Luiz Eduardo Anelli no livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil (Editora Peirópolis, 2010). Vão desde a formação geológica (por exemplo: aqui, são raras as rochas do Jurássico, período do qual são conhecidas sete espécies na Argentina) ao clima que, lá, favorece a preservação dos fósseis. O tempo de pesquisa também influi. Nossos vizinhos descreveram seu primeiro dino em 1893, 77 anos antes da primeira espécie brasileira.

Veja como um dinossauro vira fóssil e como um fóssil vira dinossauro
Paleoarte: a arte de ressuscitar dinossauros
Curador da exposição Dinos na Oca (2006), que atraiu meio milhão de pessoas ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo, Anelli, 50 anos, está finalizando quatro livros sobre a pré-história brasileira – dois para adultos, dois voltados ao público infantil. Professor da USP, ele será nosso guia nesta viagem no tempo, ilustrada pelo paleontógrafo Felipe Alves Elias.



OS DINOS BRASILEIROS


As espécies brasileiras foram ordenadas pelo tamanho estimado, da menor à maior. Os esqueletos mostram quais ossos foram encontrados (na cor branca):

Fizemos quatro perguntas para Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo e autor do livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil:

Por que os dinossauros despertam tanto fascínio?
Anelli - Dinossauros nos transportam, em uma longa viagem pelo tempo, a um mundo totalmente diferente do que conhecemos. Foram animais exuberantes, alguns enormes, de anatomia esquisita, com armaduras, chifres, longas caudas e pescoços harmoniosamente projetados. O fato de não conhecermos completamente sua aparência e seus hábitos os revestem com mistérios e enigmas. E seus esqueletos estão escondidos nas rochas, o que torna o trabalho do paleontólogo fascinante, comumente realizado em regiões desérticas, selvagens e distantes, envolvendo perigos e desafios, além de jipes Land Rover estacionados em magníficos acampamentos empoeirados.

Por que pesquisar dinossauros?
Anelli - Além de todas as razões descritas acima, pesquisamos os dinossauros porque queremos estudar tudo. Não existe algo neste mundo, ou mesmo no universo visível, que não esteja sendo observado e pesquisado exatamente neste momento. Moscas, plantas, rochas, bactérias, medusas, petróleo, CO2, cerâmicas, o cérebro de macacos, DNA, Nietzsche, adolescentes, supernovas, a ausência de gravidade, tudo é hoje alvo de algum cientista. O Homo sapiens é curioso e gosta de estudar. Queremos saber de onde viemos, como tudo funciona, como resolver nossos grandes e pequenos problemas, e o que o futuro nos tem reservado.
Com esqueletos de dinossauros não é diferente. O conhecimento deles teve grande impulso pouco antes do início do século 20, quando uma verdadeira corrida por esqueletos aconteceu nos Estados Unidos e Canadá, tempo quando foram encontrados os primeiros gigantes e o primeiro esqueleto de umTyrannosaurus rex. Aqueles monstros terrestres, pela primeira vez, foram expostos em museus, reproduzidos em ilustrações e esculturas, e adentravam o imaginário das pessoas. A vida ainda estava em processo de descoberta. Não temos hoje notícias com aquela magnitude. Daquele tempo em diante, seus esqueletos começaram a pipocar pelo mundo, em rochas de todos os períodos da Era Mesozoica, em grande diversidade de tamanhos, anatomias e modos de vida. A partir da década de 1970, os paleontólogos perceberam que os dinossauros eram muito mais que répteis grandalhões desajeitados. A possibilidade de que tinham sangue quente, metabolismo elevado, que eram aparentados as aves, coloridos, e o fato de que a cada ano dezenas de novas espécies eram descobertas pelo mundo — incluindo a Antártica — capturou o interesse dos grandes cientistas nas maiores e mais importantes universidades do mundo. Descobrir e pesquisar novos dinossauros dá um tipo de status, deixa o paleontólogo um pouco mais "especial" que os outros — não é o meu caso, eu apenas os estudo e escrevo sobre eles. Além disso, os dinossauros já ensinaram muito aos cientistas sobre a evolução biológica e geológica, sobre a paleontologia, com um tipo de conhecimento que alcança e pode ser facilmente assimilado por pessoas leigas ligadas a outras áreas do conhecimento. O retorno cultural que nos dão é muito grande, muito valioso. Vale a pena gastar tempo e dinheiro para estudá-los. Eles nos trazem do passado notícias à respeito da história da Terra e da vida, sobre as revoluções geológicas e transformações biológicas que mudaram o mundo deixando-o como o conhecemos hoje. E mais, algo muito importante neste mundo moderno, é o fato de que dinossauros são facilmente transformados em produtos. Bonecos, livros pop-up e brinquedos, são vendidos aos milhões pelo mundo. Cada notícia sobre a descoberta de um novo dinossauro aquece o grande mercado mundial de produtos infantis. Fazer o quê? É o capitalismo.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo da paleontologia?
Anelli - No Brasil, e isso quer dizer o Rio Grande do Sul, aparecem na superfície rochas de um período chave na história dos dinossauros, o Triássico, quando esses répteis surgiram. Nessas rochas estão os mais antigos esqueletos, com idades entre 220 e 230 milhões de anos. O intervalo que os separa do último T. rex, cerca de 162 milhões de anos, é quase três vezes maior do que o que nos afasta hoje do grande predador. Os gaúchos Staurikosaurus, Pampadromeus, Saturnalia, Unaysaurus e Guaibasaurus representam a pré-história dos próprios dinossauros! Eles nos mostram que os primeiros dinos eram pequenos, tinham hábitos alimentares variados (carnívoros, herbívoros, onívoros, carniceiros) e modos de vida distintos (uns viviam perto da água, outros em regiões arborizadas, por exemplo). Embora tenham ficado à sombra de outros grandes répteis durante cerca de 30 milhões de anos, assim que tiveram oportunidade (com a extinção em massa ocorrida cerca de 200 milhões de anos atrás), a grande variedade de estilos de vida possibilitou que rapidamente se apoderassem dos ecossistemas, tornando-se os dominadores dos continentes por quase 150 milhões de anos. A maior contribuição dos nossos dinos à paleontologia mundial é essa, eles ajudam os paleontólogos a montar o quebra-cabeça da evolução. E todos sabem: começar a unir as primeiras peças é sempre o mais difícil.

O que a gente ainda pode descobrir no país?
Anelli - Novos dinossauros do Triássico serão encontrados no RS, outros serão descobertos em rochas do Cretáceo de São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Ceará. Os paleontólogos têm encontrado esqueletos de crocodilos terrestres e pterossauros, fósseis cobiçados por cientistas do mundo todo. Mas acredito que a maior descoberta será feita por todos os brasileiros: a da nossa própria pré-história. De modo geral, não sabemos quais foram os dinossauros e os outros animais pré-históricos que pisaram nestas terras, nem como eram os mares, os lagos glaciais, os desertos, as florestas e pantanais que se sucederam por aqui centenas de milhões de anos atrás. Nosso conhecimento sempre foi nutrido por paisagens e dinossauros de outras regiões do mundo. A pré-história brasileira ainda não foi popularizada.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como o pós-consumismo floresce na Alemanha

140910-Compartir

Multiplicam-se, em Berlim e outras cidades, sites e comunidades para doar ou compartilhar — de comida a eletrodomésticos, livros e caronas
No Deutsche Welle
Um dia qualquer no Facebook. Em meio a uma avalanche de selfies, fotos do Instagram com pratos de dar inveja e sequências de bebês bochechudos, um post chama a atenção: “Doação: scanner, impressora, dois computadores, monitor.” O anúncio vem acompanhado de uma imagem dos equipamentos – tudo aparentemente em perfeito estado.
Posts como esse são cada vez mais comuns entre internautas na Alemanha. Eles costumam aparecer em diversos grupos da rede social e refletem algo maior: um notável espírito de comunidade que circula no país, e que permite se obter de graça praticamente todo o básico de sobrevivência – e até um pouco mais.
Uma das comunidades de maior sucesso leva o nome genérico Free Your Stuff (FYS, literalmente: “liberte as suas coisas”), acrescido do nome da cidade onde é feita a oferta. Em Berlim, o grupo já tem mais de 19 mil membros. Lá se encontra de tudo: televisores, geladeiras, camas, sofás, celulares, leitores de e-book e até pianos.
Ou mesmo: “Acredito que ninguém quer uma porta…? Mede uns 93 por 215 cm”, dizia um post publicado na FYS Berlim. No dia seguinte, a porta já fora levada. “Estou tão surpreso quanto vocês”, comentou o ex-proprietário.
Senso de comunidade contra o desperdício
Mas nem sempre as ofertas são tão extravagantes. A brasileira Carolina Nehring, que vive em Bonn, por exemplo, já usou uma dessas comunidades para doar livros, sapatos e bolsas. E foi lá que também conseguiu uma série de coisas interessantes, como um violão, uma escrivaninha e uma bicicleta, sua maior aquisição.
Brasileira Carolina e sua bicicleta adquirida de graça
O alemão Matthieu Classen também já doou uma bicicleta, porque estava de mudança para a Holanda e não tinha como levá-la consigo. “Isso cria um certo senso de comunidade, onde é possível doar as coisas de que não precisamos mais, em vez de alimentar uma cultura do desperdício”, defende o jovem de 21 anos.
Essa atitude coincide com a filosofia simples por trás do FYS. “O grupo é dedicado a todos nós que tendemos a acumular, acumular e a preencher espaços que poderiam ser usados para algo mais interessante do que um depósito ou um coletor de poeira”, diz uma descrição na página da comunidade.
O casal de brasileiros Karin Hueck e Fred Di Giacomo Rocha, idealizadores do projeto Glück Project, também recorreu à plataforma para se desfazer de seus pertences, ao voltarem para o Brasil após um ano de Berlim. “Foi um misto de comodidade e também de querer ajudar”, justifica Karin. Ao total, eles doaram um sofá-cama, duas araras, cabides, almofadas, ferro de passar e cobertores.
A brasileira lembra que uma das formas mais comuns de doar as coisas em Berlim era apenas deixá-las na calçada. “Todo dia, trombava com colchões, sofás, televisões e até uma geladeira em bom estado, que alguém havia deixado na rua para quem quisesse levar. Deixei a minha horta [portátil] na rua no dia em que fomos embora, e em cinco minutos alguém já havia levado para casa.”
Fenômeno em expansão
O fenômeno não é uma exclusividade alemã: já existem grupos de Free Your Stuff em cidades como Nova Iorque e Barcelona. Mas, na Alemanha, observa-se uma verdadeira febre: Berlim, Bonn, Colônia, Hamburgo, Munique, Stuttgart, Leipzig, Nurembergue, Dresden, Frankfurt, Düsseldorf… É rara a cidade alemã que não tenha o seu FYS.
Karin Hueck acredita que o fenômeno tenha ligação com uma cultura, observada sobretudo em Berlim, de valorização de coisas mais baratas e usadas. E compara: “No Brasil, talvez por causa da grande pobreza da população, não existe esse fetiche. Pelo contrário, as pessoas sentem a necessidade de se afastar da aparência mais simples, valoriza-se o novo, o ‘diferenciado’, o caro e as coisas em bom estado de conservação”, avalia.
Karin dá um palpite por que iniciativas como o FYS ainda são escassas no Brasil: “Acho que algo parecido acontece de forma mais espontânea. Sempre doei muita coisa que tinha em casa, mas geralmente oferecia primeiro para a faxineira ou para os porteiros do prédio. Sinto que, por causa da desigualdade social, há sempre muita gente próxima que precisa do que estamos doando. Então não é preciso divulgar na internet ou marcar um horário para entrega.”
Para disseminar a prática, o FYS encoraja internautas do mundo todo a abrirem comunidades do gênero em sua própria cidade, tendo o cuidado, é claro, de se aterem às regras. Segundo as diretrizes, fica proibido oferecer qualquer coisa em troca de dinheiro, e posts nessa linha costumam ser deletados sem aviso prévio. A doação de animais também é vetada, justamente porque não se enquadram em “stuff“.
Escambo e compartilhamento
Numa linha semelhante, surgiram na Alemanha comunidades Change your Stuff (Troque suas coisas). Foi lá que o londrinense Guilherme Santana conseguiu uma barganha. “Eu troquei a cafeteira por um quilo de banana – saiu, literalmente, a preço de banana! Gosto de pensar que é uma cafeteira que funciona a menos no lixo. Pronto, outro ponto positivo: menos lixo também”, reflete.
Guilherme e Camila levaram para casa uma cafeteira e um Photoshop
Sua noiva, a curitibana Camila Collita, também já participou do escambo, levando para casa um programa Photoshop, de edição de imagens, em troca de legumes. Guilherme só chama a atenção para a “logística do movimento”: “Quando alguém anuncia alguma coisa, você precisa ser bem rápido para responder que está interessado e também ter a disponibilidade de buscar o objeto dentro da data pedida. Já perdi alguns itens por não ter tempo ou não ter como ir buscá-los.”
Outro movimento que ganha cada vez mais adeptos no país é o Foodsharing.de, uma plataforma criada no final de 2012 para o compartilhamento de alimentos entre indivíduos. “O grande sucesso do Foodsharing levou cada vez mais pessoas a se engajarem contra o desperdício e a coletarem em mercados e lojas o excedente de alimentos para redistribuição”, explica André Piotrowski, embaixador da plataforma em Bonn.
Ele comenta que a cada ano é desperdiçado cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos ainda em bom estado, sobretudo frutas e legumes, ou seja, “de 30% a 50% da produção total de alimentos”. Só na Alemanha, em 2013 a iniciativa salvou da lata do lixo 400 mil quilos de comida. “De um punhado de ativistas no início do movimento, a plataforma hoje tem cerca de 6 mil foodsavers e mais de 600 empresas doadoras”, conta André.
Livros, caronas e outros
Excedente de pães ofertados por Johanna
Uma dessas “salvadoras” é Johanna Nolte. “Passo nos mercados duas vezes por semana para coletar legumes que não foram vendidos, sempre tudo em bom estado. Uma padaria também me liga para me avisar quando tem excesso de pão”, relata a jovem de 23 anos. “Separo uma parte para mim e depois ofereço a vizinhos e amigos. O restante, eu anuncio pelo Facebook.”
Esse senso de comunidade pode ser observado numa série de outras iniciativas pelo país. Para quem quer alimentar também o espírito, surgiram os Offene Bücherschränke (Estantes de livros abertas), uma ideia posta em prática em 2003, em Bonn, pela então estudante de arquitetura Trixy Royeck. A cidade hoje já conta com nove dessas pequenas bibliotecas livres, onde é possível deixar e pegar livros sem burocracia ou custo algum.
Já na área dos transportes, por exemplo, é possível economizar com caronas ofertadas na internet através de sites como o Mitfahrgelegenheit.de ou Blablacar.de. Quem anda de metrô pode até viajar de graça no Ticketteilen.org, que estimula usuários do transporte público de Berlim a compartilharem seus passes que dão direito a levar mais passageiros, fora dos horários de pico.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Jogo desenvolvido em Santa Maria estará no óculos de realidade virtual da Samsung

Quando óculos Gear VR for lançado, ainda neste ano, jogo Dodge This, da Imgnation Studios, já estará instalado
por Juliana Gelatti
Óculos Gear VR deve ser lançado para o mercado ainda neste ano.  Foto: Andrew Burton / AFP

Quando a Samsung anunciou o lançamento do óculos de imersão em realidade virtual Gear VR, nesta quarta-feira, os desenvolvedores da Imgnation Studios, de Santa Maria, puderam revelar o projeto em que vinham trabalhando há meses. O jogo Dodge This, lançado no ano passado para iPhone e iPad, será um dos títulos de lançamento do novo produto da Samsung.

— Estamos adaptando o jogo, e nesse processo temos de fazer algumas coisas do zero, pois o ambiente de imersão é bem diferente. Não posso precisar o dia de lançamento do óculos, mas quando ele for vendido, o Dodge This já estará instalado — explica o diretor de criação da Imgnation, Orlando Fonseca Jr.

A Imgnation Studios tem um contrato de desenvolvimento com a Samsung, por isso um dos aplicativos de lançamento do novo produto está sendo feito pela empresa, sediada na Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM). Esse contrato deu o direito à empresa ter, para trabalhar, um protótipo do óculos ainda sem data para chegar ao mercado.

O Dodge This é um jogo de tiros engraçados, como define Fonseca. Com o novo óculos da Samsung, o jogador ficará imerso no ambiente virtual e o jogo se desenvolverá na frente da pessoa. Os comandos são feitos com movimentos da cabeça.

Veja abaixo o trailer do jogo, que pode ser baixado em tablets e smartphones da Apple:

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Em vez do Desenvolvimento, a Viabilidade

Conceito implica vida digna (porém frugal) para todos, produção consciente, combate à desigualdade e consumismo, redução das emissões de carbono e comércio. Estamos preparados?

Por Xavier Ricard Lanata | Imagem: Miguel Brieva

Forjada no imediato pós guerra, a noção de desenvolvimento respondia ao mesmo tempo a um imperativo moral (permitir à humanidade realizar efetivamente o programa de emancipação estabelecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, depois pelo Pacto relativo aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966), e a uma necessidade geopolítica: ao encorajar o desenvolvimento econômico das nações do Terceiro Mundo, os países industrializados garantiam o fornecimento de matérias primas e mercados para seus produtos. Tratava-se, desde o início, de estabelecer base sólida para uma parceria comercial entre os países “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”.
Esta noção está hoje em crise: ao abandonar gradualmente seus instrumentos de regulação (controle do câmbio, controle dos fluxos de capital, barreiras comerciais e aduaneiras) e suas prerrogativas de poder público, os Estados têm deixado para os atores privados a tarefa de organizar, em seu benefício, a economia global. A integração econômica mundial é tal que o tempo e o espaço parecem abolidos: em alguns segundos, as decisões dos operadores do mercado têm consequências gigantescas em tal ou tal região. Os territórios, que haviam visto nascer as culturas, no ponto de contato entre as sociedades humanas e seu ambiente imediato, são como volatilizados pelo mercado, que exige deles uma “especialização” determinada por necessidades econômicas, sem relação nenhuma com os limites locais. As velhas metrópoles veem voltarem-se contra si os conglomerados econômicos que elas viram nascer ou criaram – mas que se esforçam agora para consolidar suas posições na competição internacional. Os países emergentes esperam lucrar com suas vantagens comparativas. Toda regulamentação internacional fica suspensa a partir de um consenso global aparentemente intocável
1.

140908-Viabilidade

Essa nova “ordem” mundial não é viável: em quarenta nos, o mundo foi tomando consciência progressivamente do caráter limitado do nosso ecossistema planetário. As crises ecológicas se multiplicaram. O aquecimento climático é uma realidade que quase ninguém mais contesta2.
Nada evita o crescimento de emissões de CO², em grande parte responsáveis pelo aquecimento global: “Apesar da queda da intensidade energética e de carbono, as emissões de dióxido de carbono a partir de combustíveis fósseis aumentaram em 80% desde 1970. As emissões são hoje quase 40% superiores às de 1990 – o ano de referência do Protocolo de Quioto. Desde 2000, elas aumentaram a uma taxa anual de mais de 3%3.”
Dois terços das taxas de crescimento atual da economia mundial baseiam-se no crescimento da extração de recursos energéticos fósseis, notadamente de petróleo e gás. A revolução industrial foi, com efeito, em grande parte indissociável da descoberta de uma energia abundante, cujo custo de extração foi, durante muito tempo, quase nulo. Hoje, estamos condenados a uma estagnação das taxas de crescimento da economia mundial, em torno de 1% ao ano, na melhor média. Ora, essa taxa não permite dar emprego decente para milhões de pessoas que atingirão a idade adulta daqui até 2050, e não apenas aqueles que serão demitidos devido ao aumento da produtividade trabalho, incluindo o advento da revolução verde4.
Portanto, tornou-se impossível – devido a razões geofísicas, políticas, ecológicas e econômicas – continuar a associar o desenvolvimento ao “crescimento” global da atividade econômica e ao conceito de “emparelhamento”, segundo o qual os países do Sul devem “alcançar” os níveis de PIB per capita. dos países da OCDE.
Essa concepção governa, há sessenta anos, a prática dos atores do desenvolvimento e, em particular, a das agências multilaterais e nacionais. É imperativamente necessário conceber o destino coletivo das sociedades humanas, não mais a partir do paradigma do “emparelhamento” e do crescimento. Eles devem ser substituídos pelas ideias de convergência e, como propõe Michel Griffon5, da viabilidade. Essa noção, já utilizada na biologia, é mais forte que a de “desenvolvimento sustentável”, cuja polissemia e imprecisão epistemológica foram duramente criticadas.
A viabilidade não está atrelada ao crescimento de “volume” do comércio de bens e serviços. Muitos estudos mostram que a qualidade de vida não aumenta realmente, além de um nível de PIB per capita que se situa entre 10 e 15 mil dólares ao ano. O objetivo de qualquer política de sustentabilidade é reorientar a atividade humana para setores de atividade, modos de produção e de troca compatíveis com um “equilíbrio” ecossistêmico global6.
Uma economia “viável” é uma economia altamente relocalizada – porque usa a “subsidiaridade ativa, em todos os níveis, como princípio para estabelecer diferentes circuitos de trocas comerciais. Também é circular (por estimular as funções de reciclagem e aproveitar os ciclos dos ecossistemas), ecológica (ao intensificar as funcionalidades do ecossistema), de baixa produtividade do trabalho (ou seja, intensa em mão de obra). Baseia-se base em pequenas unidades de produção regidas por um duplo imperativo de rentabilidade e utilidade social (pertencentes, portanto, ao campo da economia social e solidária, ou ao compatíveis com as suas exigências).
A hibridação de recursos (públicos/ privados) é a regra: falamos de uma economia “plural”. Ela repousa em grande parte sobre atividades imateriais (pesquisa, cultura e educação), o voluntariado (tornado possível graças à redução maciça do tempo de trabalho nas economias industriais), a reconversão do aparelho produtivo (por meio de um programa de investimentos públicos pela emissão monetária direta do Bancos Centrais7), a autoprodução (que exige uma reorientação da inovação tecnológica, especialmente numérica) e a agroecologia, que poderia ser o pivô em torno do qual se organizaria a nova economia ecológica.
A extensão destas reflexões às economias dos países do Terceiro Mundo é natural. Na América Latina, na Ásia e na África, crescem cada vez mais as vozes que propõem uma teoria econômica e social alternativa, capaz substituir o “desenvolvimento” e sua versão atual, o neoliberalismo extrativista. Uma economia ecológica em escala global promoveria com certeza a “desglobalização” (que não é senão a relocalização, principalmente na escala regional, do comércio e da produção). Walden Bello, por exemplo, propõe a consolidação de instâncias de cooperação econômica regional8.
Estas análises acompanham uma tendência ativa no seio da sociedade civil. Na Europa, uma de suas formas mais recentes é o movimento das Cidades em Transição. Iniciativas semelhantes estão aparecendo em vários continentes, especialmente na América Latina America9.
Os cenários: rivalidade entre potências, ou humanização
Encontramo-nos, portanto, diante de dois cenários. Ou prosseguimos na via da rivalidade, encorajada por um sistema econômico com base no crescimento e na competição pelo acesso aos recursos cada vez mais raros… Ou nos comprometemos com o caminho de uma cooperação internacional, que será guiada por uma nova palavra de ordem, a da viabilidade.
No primeiro caso, a intensificação dos conflitos pelo acesso aos recursos e a competição feroz a que se poderiam entregar as nações e seus “campeões” da indústria para manter ou conquistar poder tecnológico teriam consequências em termos de “desenvolvimento” . A máquina ideológica da modernidade (cuja noção de progresso) e a classe social que foi o seu motor histórico (a burguesia) seriam deslocados por uma nova ordem. Seria eliminada a perspectiva de um progresso social com base na promessa de um crescimento contínuo das riquezas redistribuíveis. É sobre essa esperança (parcialmente infundada) que se edificaram os grandes compromissos sociais do pós segunda guerra mundial. Em seu lugar, ressurgiriam dispositivos institucionais de controle e de “segurança”. Eles assegurariam o controle dos recursos por uma elite reduzida, já que se tornou impossível fazer crescer as riquezas10. Esse mundo oligopolista pode propiciar também a emergência de grupos mafiosos (como se observa na América Central, no México, nos Bálcãs, no Japão etc).
Mas esse cenário não é inevitável. A ascensão de uma classe média, moldada pelo uso da internet, bem como pela experiência da crise social e ambiental, pode ajudar mudar a situação geopolítica. Este crescimento é, sem dúvida, um dos grandes fenômenos das últimas décadas. Até agora, esta nova classe média (especialmente a chinesa ou brasileira), está ávida pelo consumo e não pensa em questionar as regras que governam a economia global. Mas ela se encontra, na verdade, confrontada com uma contradição: deve sua existência a uma forma de integração a um sistema de desenvolvimento que não é viável. Qualquer retorno ao passado é proibido. Mas qualquer fuga para diante, também. Ela poderia tornar-se mais e mais consciente, à medida que observe como a livre concorrência e a extração contínua de recursos não renováveis​​, cujo ritmo e alcance será estendido para o nível global, criam insegurança crônica11
Para assegurar seu nível de vida, e conservar a parcela de autonomia que havia conquistado, essa classe média poderia operar uma espécie de mudança e se convencer da necessidade de uma política mundial de viabilidade. Ele certamente deve desistir de algumas de suas aspirações (crescimento infinito da renda per capita) em favor da segurança que seria proporcionada por um sistema econômico baseado na co-responsabilidade e na solidariedade.
Tal cenário é consistente com uma reformulação completa da governança internacional, que seja capaz de combinar atores tradicionais (Estados e organizações multilaterais) com “redes” da sociedade civil, estruturados em torno dos principais problemas em diferentes escalas territoriais. Cientistas, movimentos sociais (que já criaram muitas experiências locais de sustentabilidade, potencialmente globalizáveis12), ONGs, empreendimentos preocupados em inscrever-se no programa de uma transição ecológica e sociais (e em aceitar as restrições), poderiam desempenhar um papel mobilizador na realização de uma nova ordem internacional inédita13.
Como se percebe, o cenário faz desaparecer a distinção entre “países desenvolvidos” e “em desenvolvimento”. Todos encontram-se confrontados, mutatis mutandis, sejam quais forem seus interesses de curto prazo, com o mesmo desafio: colocar suas dinâmicas sociais, econômicas e políticas em uma “trajetória” da viabilidade.
Certamente, o problema coloca-se de forma diferente, dependendo se se encontra de um lado ou do outro de um PIB per capita de 15 mil dólares por ano14. Para alguns, a questão será diminuir a quantidade de matéria e energia consumida per capita (e estimular o crescimento de outros tipos de produção e atividade), assegurando o pleno emprego: trata-se do programa de transição ecológica e social, como certas experiências de movimentos sociais na Europa e nos Estados Unidos15.
Para outros, o projeto implicará influenciar as trajetórias de crescimento, de modo que elas não visem mais a “inserção” na nova ordem mundial da competição desregulada, mas permitam, após uma fase transitória, estabilizar as economias em torno de um ponto de equilíbrio, regionalizar e relocalizar ao máximo as trocas, garantir investimentos coletivos de muito longo prazo, que garantam a viabilidade (energia, transportes coletivos, habitação com alto valor agregado ambiental, a reorganização da malha-urbana etc.)16.
As duas faces dessa transição ecológica e social (a do decrescimento da produção e do comércio de bens materiais, por um lado; e a do crescimento viável – e portanto limitado – de outro), por certo encontram-se tendencialmente. Assim, é importante considerá-los em conjunto, e basear uma cooperação renovável nesta assíntota. A convergência de nossas economias, num cenário global de viabilidade, deve tornar-se o objetivo do “desenvolvimento”, substituindo o conceito ilusório de “emparelhamento”.
Xavier Ricard Lanata é diretor de parcerias internacionais da organização Terra Solidária (antigo Comitê Cristão contra a Fome e pelo Desenvolvimento – CCFD), com sede em Paris. Sus artigos expressam a opinião do autor e não necessariamente os pontos de vista de CCFD-Terre Solidaire.
1 A cúpula da ONU “Rio + 20″, deu uma prova marcante dessa situação. Ver Ricard Lanata, “O fracasso da conferência do Rio: em direção ao final do multilateralismo?”, La Croix, 4 de julho de 2012.
2 Mesmo o último relatório do National Intelligence Council (NIC, Estados Unidos) admite sua inevitabilidade, dadas as tendências atuais (http://www.dni.gov/nic/NIC_2025_project.html).
3 Tim Jackson, Prosperidade sem crescimento, Bruxelas : De Boeck, 2010, . p. 81.
4 Henri Rouillé d’Orfeuil estima em 1,45 bilhões o número de postos de trabalho que podem ser perdidos devido à modernização da agricultura e da liberalização do comércio agrícola. Ver H. Rouillé d’Orfeuil, “Exclusões camponesas, desorganização do mercado de trabalho e trabalho decente“. Ver também “Em favor das agriculturas intensivas em trabalho”», Projeto, n°332, fevereiro 2013.
5 Michel Griffon, Homo viabilis, Paris: Odile Jacob, 2012
6 A noção de equilíbrio entrou na literatura econômica com a obra fundadora de Herman Daly, Toward a steady state economy, London: Freeman and Co Ltd, 1973. O equilíbrio ecológico é definido por um estoque constante de capital físico, possível de manter-se por um nível de fluxo de materiais situado abaixo da capacidade de assimilação do regeneração dos ecossistemas.
7 Ver Ricard Lanata, Agroecologia: núcleo de uma alternativa ao capitalismo, in Projet, n° 332, fevereiro 2013
8 Ver Walden Bello, Desglobalização: ideia para uma nova economia mundial, Manila, Ateneo de Manila University Press, 2006.
9 Esse cenário está em andamento, como mostra Giraud et Renouard (Op. Cit). Ver igualmente Hervé Kempf, Fim do Ocidente, Nascimento do mundo,Paris, Seuil, 2010.
10 Pode-se comparar esse cenário a algo como “Gini sobre a garrafa.”
11 A classe média chinesa já observa com preocupação, após o boom econômico dos últimos 30 anos, como algumas empresas, incapazes de suportar o aumento dos custos horários do trabalho na China, mudaram sua produção para outros países – Laos, Vietnã, Camboja… Estas dificuldades se sobrepõem à redução da demanda europeia. A China encontra-se, por isso, forçada a desenvolver seu mercado interno e regional, sob pena de enfrentar uma recessão. Ela deverá relocalizar o comércio. Só poderá fazê-lo de forma pacífica e sem atritos caso negocie com seus principais parceiros comerciais, e com a consolidação de um bloco da Ásia Oriental com base em uma verdadeira política de solidariedade regional.
12 Para uma visão geral, ver, por exemplo Lionel Astruc, (R)evoluções: por uma política em Atos. Paris, Actes Sud, 2012 ou ainda Brigitte Handle, Um milhão de revoluções tranquilas. Paris: As ligações que liberam, 2013.
13 Dominique Bourg, por exemplo, estabeleceu os princípios em seu livro Por uma democracia ecológica. Paris, Seuil, 2010.
14 Propomos usar esse número como uma hipótese. Este é o ponto superior de um PIB per capita na faixa entre 10 e 15 mil dólares.
15 Um número crescente de estudos econômicos demonstra a viabilidade de tal programa: além do trabalho de Tim Jackson (op.cit), mencione-se John Gadrey, Adeus ao crescimento (Economic Alternatives, 2011), ou ainda
Juliet Schor, A verdadeira riqueza (FPH, 2013).
16 Abordamos neste artigo apenas as variáveis puramente econômicas de um programa de convergência mundial. É evidente que a problemática da viabilidade inclui todos os aspectos da vida social, e o modo como cada sociedade, cada cultura, pode conceber e tomar parte de tal política deve ser visto de maneira específica. Desse ponto de vista, vale para a “viabilidade” o mesmo que valia para o “desenvolvimento”: é necessário evitar a redução do termo a um slogan, e preocupar-se com o seu significado em cada situação específica. Mover-se em direção à sustentabilidade também requer sacrificar, em nome das futuras gerações, o sonho de uma “modernização” que muitas sociedades (inclusive aquelas de aparência mais tradicional) têm em comum. É por isso que a questão da viabilidade está ligada a um projeto da modernidade que significa, sem dúvida, um aprofundamento. Mantém a noção de autonomia; mas renuncia a um “falso universal”, uma autonomia puramente abstrata (e, ao fim das contas, centrada na Europa), em favor de uma demanda localizada, intercultural. Sobre isso, ver por exemplo
Immanuel Wallerstein, O Universalismo europeu. Da colonização ao direito de ingerência, São Paulo, Boitempo, 2007.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Como se preparar para Artes Visuais, Música e Teatro na UFRGS

Avaliações teórico-práticas serão realizadas entre os dias 3 e 7 de novembro

Por Vinícius Fernandes / ZH

Quem pensa que só de glamour e inspiração vive um artista não conhece os caminhos da graduação em Música, Teatro ou Artes Visuais. Antes de chegar ao vestibular da UFRGS, há de se enfrentar uma prova específica, cuja aprovação passa por um rigoroso time de avaliadores.

– Não é um curso de iniciação, mas de formação de profissionais de nível superior. Exigimos do aluno que ele tenha conhecimento básico – resume o professor do bacharelado de História da Arte e vice-diretor do Instituto de Artes da UFRGS, Paulo Gomes.


Artur Boutros cronometra cada exercício para se adaptar aos 15 minutos de que irá dispor no exame real  Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Quando a UFRGS implantou os exames, os índices de reprovação eram altos, havia pouca informação sobre a estrutura da prova e os aventureiros quebravam a cara na avaliação da banca. Atualmente, escolas fazem simulados e têm professores exclusivos para a preparação de vestibulandos.

– Trabalhamos para orientar esses alunos a direcionar os esforços para o que a banca valoriza – relata Cynthia Geyer, diretora da escola Estação Musical.

Candidatos não aprovados na prova concorrem no vestibular à segunda opção de curso, indicada no ato da inscrição. As provas específicas ocorrerão em Porto Alegre entre 3 e 7 de novembro.

O hobby de hoje vira ganha-pão amanhã

Artur Boutros, 24 anos, cresceu com um hábito: reproduzir no papel tudo que via de interessante. Há poucos anos, descobriu que poderia ganhar a vida com seu traço preciso. Por isso, destina uma hora por dia para aprimorar técnicas aprendidas em sala de aula.

– Tenho dedicado meu tempo livre para passar na prova específica de Artes Visuais. Pego um objeto qualquer, faço um desenho de observação e faço os planos. Eu cronometro tudo – relata.

Diretor da OCA Escola de Arte, Paulo André Frydman considera a teoria importante, mas lembra que é elementar apresentar habilidade e versatilidade para reproduzir os mais variados objetos:

– A banca quer ver como a pessoa enfrenta o desafio em um tempo razoável, dando certas referências a características do desenho. Vão querer ver a variedade no modelo de representação, saber se o candidato pode dar ênfase para as manchas, ou para as linhas.

Boutros sabe que enfrentará um teste rigoroso, mas está confiante. Quando concluir o curso de Artes Visuais, planeja dar aulas.

– Notei a importância das aulas na preparação para a prova. Percebi que as observações da professora me deixavam nervoso, mas me faziam aprender muito – justifica o vestibulando.

Artes visuais

> Como é o teste: é aplicado em grupos e estruturado em quatro etapas. O candidato tem 15 minutos em cada etapa para fazer um desenho a partir de um modelo determinado, apresentando uma visão geral de objetos de natureza morta, como frutas, garrafas, pelúcias, tecidos dispostos sobre uma mesa. A folha é trocada para cada desenho. O tempo que sobra de uma etapa não acumula para o desenho seguinte. O uso de borracha é proibido.

> Dicas: tome cuidado para não fazer um desenho pequeno demais em relação à folha. Espaço branco entre o desenho e as bordas da folha pode ser bom, mas quando o vazio ocupa mais que 2/3 da área total significa que o desenho é pequeno. Aproveite as características dos objetos, sombras, superfícies e bordas como estímulo para o tipo de linhas, sombreamentos e texturas que irá fazer. No desenho seguinte, privilegie objetos diferentes.

Com os dedos (e nervos) afiados

Ariane Azambuja trabalha para não sucumbir ao nervosismo. A jovem de 18 anos, que hoje cursa Design de Games, mira no curso de Música Popular da UFRGS, com o plano de graduar-se como professora de violão. Toca o instrumento desde os sete anos, mas assume que, quando deparar com uma banca de quatro professores, a ansiedade deverá bater.

– Sou tranquila na maior parte do tempo, mas acho que na hora vou ficar nervosa. É bem difícil não ficar – porque não sou nenhum prodígio na música – tocando para pessoas que sabem muito mais que eu e estão lá para me julgar. Não será fácil – prevê.

Para driblar o emocional, Ariane estuda diariamente. Faz aulas de violão uma vez por semana e, em casa, além de praticar, lê sobre teoria musical. Na prova, sabe que terá de demonstrar capacidade de improviso, conhecimento e segurança com as cordas.

– Querem alguém que já tenha noção musical. Por causa da faculdade, a rotina fica corrida, mas todo o dia eu estudo, nem que seja uns 30 minutos – conta.

Murilo Bordignon, 19 anos, contraria o receituário, que prevê dificuldades na prova aos que tiveram contato tardio com a música. Quatro anos atrás, tinha noções básicas de teclado. Aos 16 anos, escolheu fazer música, mergulhou no tema e passou na prova específica na primeira tentativa. Hoje, cursa o segundo semestre de Bacharelado em Música com habilitação em regência coral e atribui o sucesso no exame à tranquilidade com que o conduziu.

– Foi até uma surpresa. Eu fiz como um teste, queria saber como era a prova, o nervosismo. Você se assusta por ser prático, mas fiz tranquilo, sabendo que podia estudar mais, que não era o melhor de mim, mas era o que eu podia passar – relembra.

Música

> Como é o teste: é constituído de duas etapas: a do instrumento escolhido pelo candidato e o teste teórico-perceptivo. Na primeira, os candidatos executarão quatro músicas – duas escolhidas por eles e duas apresentadas pelos avaliadores. Para essas músicas, os candidatos recebem, na hora, as partituras. Na segunda etapa, a prova escrita avalia conhecimentos de teoria, leitura e percepção.

> Dicas: ter bom domínio do instrumento escolhido pelo candidato é pré-requisito para ser aprovado pela banca, mas não o suficiente. Como há uma etapa teórica, é importante que o vestibulando conheça bem períodos musicais relevantes. A UFRGS oferece cursos de teoria e prática musical ministrados por alunos da faculdade, que já passaram pela prova específica e podem dar boas dicas.

Para atuar bem

Nathalia Gomes deixou a serra gaúcha para mergulhar nas artes cênicas. Em Caxias, esgotou todas as possibilidades de aprendizado e se entediou com a ausência de grandes espetáculos na cidade do Interior. Aos 20 anos, faminta por conhecimento, veio estudar teatro em Porto Alegre e espera, a partir de novembro, passar na prova específica de Artes Dramáticas e ficar de vez na Capital.

A vestibulanda faz o curso de formação de atores da Casa de Teatro quatro vezes por semana, assiste a peças com frequência e lê sobre o tema. Para ela, essa rotina a torna capacitada para a prova específica. Seu receio é escorregar na estapa seguinte.

– Sou horrível nas exatas, meu medo é não passar nessas provas. A prova específica vai me deixar nervosa, vou ficar diante de críticos e encenando sozinha, mas estudo teatro quatro dias por semana e aqui (em Porto Alegre) aprendi outras técnicas que me ajudaram muito – relata a estudante, que teme fazer uma apresentação tediosa para a banca.

– Presto muita atenção no corpo, como ele se torna presente, e em usar várias entonações, para não ficar algo monótono e parado.

A expressividade dos movimentos foi o que imprimiu realismo à atuação de Cissa Madalozzo, 29 anos, e convenceu a banca de avaliadores a aprová-la no teste específico. Foi em 2014, quando encenou um trecho da peça Gota d'Água, escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes.

– Assim que fiquei sabendo (que esse seria o) texto, peguei o livro para ler e investiguei a história. A Joana (personagem da obra), na hora do monólogo, estava brava, então peguei a faca e comecei a cortar legumes enquanto falava. Isso é uma técnica legal, conseguir executar mais de uma ação ao mesmo tempo. São pequenas ações que tornam as cenas mais reais, mais naturais – receita Cissa.

Teatro

> Como é o teste: terá três partes, com 20 minutos de duração cada: monólogo, entrevista e improvisação. Neste ano, o texto para o monólogo será do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. A entrevista é uma análise dramatúrgica da peça (disponível na íntegra na biblioteca do IA) de onde foi extraído o trecho para o monólogo. Para a improvisação, o tema é sorteado na hora.

> Dicas: é importante que o candidato leia todas as peças do autor exigido e as estude, pois as questões da entrevista são relacionadas ao texto do monólogo. É aconselhável que estude, memorize e crie a cena com antecedência, pois durante a prova o vestibulando pode ficar nervoso e, se não tiver o texto decorado, pode não demonstrar a segurança necessária para executar bem a interpretação.